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Governo suspende importação de cacau da Costa do Marfim; produtor de Linhares diz que a suspensão demorou

Já representantes dos produtores capixabas avaliam que, embora a suspensão seja importante, ela chega tarde e ainda está longe de resolver o problema

Redação
Por: Redação
02/03/2026 às 08h30
Governo suspende importação de cacau da Costa do Marfim; produtor de Linhares diz que a suspensão demorou

O Ministério da Agricultura suspendeu, de forma imediata e temporária, as importações de amêndoas fermentadas e secas de cacau da Costa do Marfim. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e já provocou reações diferentes entre produtores, entidades e indústrias. A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) informou, em nota, que recebeu a medida “com preocupação”. Já representantes dos produtores capixabas avaliam que, embora a suspensão seja importante, ela chega tarde e ainda está longe de resolver o problema.

Por que o governo suspendeu?
Segundo o governo federal, a medida foi tomada após avaliação técnica que apontou risco fitossanitário nas cargas destinadas ao Brasil e indícios de possível triangulação comercial. De acordo com o secretário-executivo da Associação de Cacauicultores do Espírito Santo (Acau), André Scampini, o Brasil vinha recebendo amêndoas não apenas da Costa do Marfim, mas também de outros países africanos. “Além da Costa do Marfim e Gana, há outros grandes produtores na África, como Nigéria, Togo, Guiné e Camarões. O que foi identificado é que amêndoas desses países estavam sendo compradas pela Costa do Marfim, misturadas e enviadas ao Brasil como se fossem exclusivamente marfinenses”, explicou. Com isso, além do risco sanitário já existente, haveria um risco adicional. A suspensão, no entanto, é provisória. O Ministério aguarda esclarecimentos e avaliações técnicas complementares antes de tomar uma decisão definitiva. “Não é uma decisão final. Vamos aguardar os desdobramentos”, reforça.

E o impacto para o produtor?
No Espírito Santo, terceiro maior produtor de cacau do país, a decisão foi recebida com atenção. Para a Acau, o único impacto positivo imediato foi a interrupção do risco sanitário. No mercado, porém, o dano já estaria feito. “Os estoques das grandes moageiras já estão cheios. Milhares de toneladas chegaram antes da suspensão. O preço da saca de 60 quilos está em torno de R$ 600, abaixo do custo de produção e abaixo da cotação de Nova York. Em termos de preço, neste momento, não há impacto”, afirma Scampini. Para o produtor de Linhares, Emir de Macedo Gomes Filho, a suspensão demorou. “Chegou tardiamente. As indústrias já estão abastecidas e têm cacau para trabalhar o ano inteiro.

Os preços despencaram por causa dessas importações e isso não será resolvido no curto prazo.” Ele lembra que países da África enfrentam problemas fitossanitários graves, como o vírus do broto inchado, a podridão negra e a praga conhecida como striga, que também atinge outras culturas. Outro ponto levantado por Emir é que a suspensão atinge apenas a Costa do Marfim. Países como Gana, Nigéria, Camarões e até o Equador continuam podendo exportar para o Brasil. “Se o risco sanitário é o argumento, ele continua existindo com outros países. Então a medida não traz segurança plena”. Os produtores defendem medidas mais amplas, como garantia de preços mínimos, revisão do drawback e aumento do teor mínimo de cacau no chocolate para 35%, como forma de estimular a demanda interna pela amêndoa nacional.

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