
A presença do Secretário Municipal de Saúde, Raul Amicci, na Câmara Municipal de Colatina, tem se tornado sinônimo de "terremoto político". A cada depoimento no Legislativo, novas informações vêm à tona, revelando manobras financeiras e patrimoniais da gestão passada que, até então, permaneciam sob as sombras da burocracia.
A revelação mais recente e impactante diz respeito à aquisição do prédio da antiga PW. Segundo os dados apresentados, o imóvel foi adquirido pela bagatela de R$ 8 milhões, com o pagamento efetuado no dia 31 de dezembro de 2024, literalmente no último dia da gestão anterior. A transação, realizada no "apagar das luzes", levanta questionamentos sobre a urgência e a transparência de um gasto desse montante em uma data tão limítrofe.

Essa não é a primeira vez que Amicci traz fatos surpreendentes ao plenário. Recentemente, o Secretário já havia exposto a controversa doação do prédio da Santa Casa, outro movimento patrimonial que pegou a cidade de surpresa.
O ponto mais crítico e preocupante dessas revelações não é apenas o valor dos negócios, mas o absoluto desconhecimento do Conselho Municipal de Saúde. Como órgão responsável por fiscalizar, deliberar e acompanhar os gastos e políticas de saúde do município, é inadmissível que o Conselho tenha sido mantido à margem de decisões tão drásticas.
Tanto na doação do prédio da Santa Casa quanto na compra de R$ 8 milhões do prédio da PW, o Conselho Municipal de Saúde parece ter sido "atropelado" ou, pior, omitiu-se de seu papel fundamental. A pergunta que fica no ar é: como uma verba milionária sai dos cofres da saúde no último dia do ano sem que os conselheiros tivessem conhecimento ou participação no debate?
As falas de Raul Amicci na Câmara não apenas expõem a forma como a máquina pública vinha sendo conduzida, mas colocam em xeque a eficácia do controle social em Colatina.
