
Para despertar as autoridades políticas e alertar produtores sobre as consequências da importação de amêndoas de cacau, especialmente da Costa do Marfim, e os preços de mercado praticados, no próximo sábado (7) vai acontecer uma manifestação em Linhares. Os produtores irão se concentrar no pátio da MVC, que fica no bairro Conceição, trevo de acesso ao bairro Novo Horizonte, á partir das 8h.
O movimento é liderado por produtores de cacau e pela Associação dos Cacauicultores do Espírito Santo (Acau), que reivindica a revogação da Instrução Normativa nº 125, a INI125, publicada em 2025 pelo Ministério da Agricultura e pecuária (Mapa), do Governo Federal. A normativa passou a permitir a importação de cacau africano para o Brasil, retirando exigências fitossanitárias anteriormente obrigatórias.
"Essa manifestação pacífica vem chamar a atenção das autoridades nacionais, quanto à necessidade da criação de políticas públicas voltadas ao setor. Não é uma solução imediata, pois envolve questões internacionais e regionais, mas, precisamos nos organizar e articular ações para minimizar os impactos com urgência, até porque a indústria é necessária para nós, mas não temos diálogo comercial com ela", disse a presidente da Acau, Kellen Scampini.
"Estão importando cacau africano que possui registros de uso de mão de obra escrava, exploração do trabalho infantil e origem em áreas desmatadas, chegando ao Brasil sem exigências. Enquanto isso, o cacau brasileiro enfrenta uma legislação ambiental e trabalhista rígida, com exigência de certificação, rastreabilidade e sustentabilidade. Não somos contra a importação, mas queremos regras equivalentes para todos", afirma Emir de Macedo Gomes Filho, produtor rural e um dos líderes da manifestação em Linhares.
Além das preocupações sanitárias e sociais, os produtores denunciam impactos econômicos severos. De acordo com Emir, o atual preço pago pelo cacau está inviabilizando a atividade, já que os valores praticados pelo mercado estão abaixo do custo de produção, desrespeitando a referência da Bolsa de Valores.
"Multinacionais estão sendo beneficiadas com a não incidência de impostos sobre o cacau importado da África, pagando mais barato pelo produto. Enquanto isso, mais de 100 mil produtores brasileiros, que movimentam a economia do país, estão sendo prejudicados. No sul da Bahia, por exemplo, muitas cidades dependem exclusivamente do cacau e já têm famílias enfrentando falta de alimento à mesa", alerta.
MOBILIZAÇÃO
A mobilização em defesa do cacau nacional teve início com a Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) e vem sendo abraçada por produtores e instituições de diversas regiões do Brasil. O objetivo é pressionar as autoridades pela revogação da Instrução Normativa nº 125, considerada uma ameaça ambiental, social e econômica para a cacauicultura brasileira.