
Os indígenas Tupinikim retomaram na quinta-feira (8) o bloqueio da Ferrovia Vitória a Minas (EFVM), operada pela Vale S.A., no trecho que corta o território indígena em Aracruz. A nova interdição ocorre como forma de pressão por reparação integral dos danos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015, crime socioambiental que devastou a bacia do Rio Doce e segue impactando comunidades indígenas, provocado pela mineradora Samarco, sob responsabilidade da Vale e BHP-Billiton. A ação foi decidida pelas comunidades após a reintegração de posse executada na terça-feira (6), que havia encerrado um bloqueio anterior mantido por 76 dias.
O presidente da Associação Indígena Tupinikim de Caieiras Velha (AITCV), Joel Monteiro, explica que a retomada do bloqueio foi deliberada após a execução da decisão judicial que garantiu às empresas o desbloqueio da ferrovia. Segundo ele, a mobilização ocorreu de forma imediata, diante da ausência de respostas concretas sobre a exclusão de indígenas dos programas de reparação. “Esse novo bloqueio foi decidido depois da reunião que aconteceu a reintegração de posse. Ontem à noite mesmo as comunidades decidiram fazer a interdição de novo, e sem previsão de quando vai liberar”, afirma.
A liderança informou que há expectativa em relação à chegada de uma caravana do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) ao território, prevista para segunda-feira (12). “Esperamos que eles tentem contribuir com as pautas, na sensibilização e no diálogo junto às empresas”, relata. Ele pondera, no entanto, que até agora nem a União nem as mineradoras se posicionaram de forma efetiva para solucionar o problema.
De acordo com Joel, o principal motivo da retomada da mobilização é a permanência de indígenas fora do processo de reparação conduzido pela Fundação Renova e, posteriormente, pela repactuação firmada entre União, empresas e instituições de Justiça. “A Vale segue naquela linha de que as empresas, tanto a Vale quanto a Samarco e a BHP, resolvam o problema da inclusão de quem está excluído do processo. Então, a linha é essa: até que eles entendam que tem que sanar essa questão”, disse o dirigente indígena.
Joel Monteiro reforça que a mobilização ocorre dentro do território indígena e que as comunidades permanecem acampadas e organizadas. “Como é terra indígena, no entendimento dos indígenas, a terra é uma área de usufruto. A gente está no espaço da terra indígena e permanece com a base montada, mobilizada”, explicou. Segundo ele, o movimento tende a continuar enquanto não houver um posicionamento claro, seja das empresas ou da União, para resolver a exclusão de indígenas do processo de reparação. “Até que se encontre uma solução para os impactados, os indígenas que estão excluídos do processo, a mobilização tende a seguir”, afirmou.